Arquiteto é agredido com soco e xingado no carnaval de Olinda e denuncia homofobia
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Arquiteto é agredido com soco e xingado no carnaval de Olinda e denuncia homofobia
Um arquiteto e artista denunciou ter sido vítima de agressão durante o carnaval em Olinda, quando estava vestido como drag queen. A vítima, Augusto Mendonça, contou que foi xingada e, depois, levou um soco no olho (veja vídeo acima). As agressões foram praticadas por um grupo de jovens.
O caso aconteceu no domingo (15), por volta das 21h, e, segundo o arquiteto, somente na quarta-feira (18) ele teve coragem de expor a agressão nas redes sociais. Augusto Mendonça contou que estava voltando para casa quando encontrou um grupo de 15 pessoas, incluindo os agressores.
✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE
O caso é investigado pela Polícia Civil, que tenta identificar os criminosos. Ao g1, Augusto contou que foi ao Sítio Histórico encontrar amigos e chegou à cidade vestido como uma drag queen, com peruca, maquiagem e cílios postiços.
Ele deixou o carro no Varadouro e o celular dentro do veículo, por medo de ser assaltado. Após subir e descer as ladeiras, não encontrou os amigos e, sem conseguir se comunicar com eles, decidiu ir embora.
Ao passar pelo bairro do Carmo, percebeu a aproximação de um grupo. Um dos integrantes fez a primeira ofensa.
"Vinham uns cinco jovens. Continuei no mesmo rumo, para não intimidar os caras. “Um dos caras falou assim: ‘Que bicha feia da p****’. Aí eu disse ‘boa noite’ e continuei, porque sei que, com esse tipo gente, não se brinca”, contou.
Em seguida, outro grupo se aproximou. “Quando eu avisto, vem mais de 10 jovens. Aí esse primeiro cara que me xingou falou ‘Olha aí, para tu’, se referindo a um dos rapazes que estavam nesse segundo grupo”, disse.
Augusto afirmou que, nesse momento, pensou em desviar o caminho, mas acreditou que os homens poderiam correr atrás dele. Foi nesse momento que ocorreu a agressão física.
“Quando esse cara chega perto de mim, ele dá um soco. Um soco forte no meu olho. Eu me abaixo na hora, a cabeça zumbindo. Levantei e eles continuaram tranquilamente o trajeto. Coloquei a mão e estava saindo sangue, senti que o olho começava a inchar. Fiquei na minha, calado, porque eu não ia voltar para procurar briga com 15 pessoas”, afirmou.
Augusto Mendonça foi agredido e recebeu ofensas homofóbicas durante o carnaval em Olinda
Reprodução/WhatsApp
Ferido, Augusto andou até encontrar um vendedor ambulante, a quem pediu gelo para colocar no olho. Depois, continuou o trajeto até o Varadouro, onde estacionou o carro. Ele contou que passou por viaturas da Polícia Militar (PM), mas decidiu ir embora sem acionar os agentes.
“Eu pensei: não vai mudar em nada. Fiquei com vergonha, um monte de coisa misturada”, disse.
De volta ao Recife, Augusto procurou atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) dos Torrões, na Zona Oeste do Recife, onde foi medicado, passou por exames e curativo.
Envergonhado e com medo, ele escondeu a agressão da mãe e dos amigos. “Eu escondi porque não queria que eles ficassem preocupados. Falei que caí da rede. Fiz o vídeo relatando tudo porque eu não podia mais guardar isso", contou.
Na quinta-feira, Augusto foi à Delegacia do Varadouro e registrou boletim de ocorrência sobre o caso. No mesmo dia, passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no Centro do Recife.
Augusto, que também é ator e bailarino desde os 15 anos, contou que há cerca de seis meses se monta como drag queen, sempre por diversão, e que decidiu publicizar o caso justamente para levantar a bandeira do movimento LGBTQIA+.
“Quando eu saio montado, eu sei que eu poderia sofrer isso. Isso faz parte da minha luta. Minha rede social é só sobre isso, levantar bandeiras, falar, denunciar. Eu não vou desistir”, declarou, ao dizer que vai buscar responsabilização dos criminosos.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias